terça-feira, 25 de novembro de 2008

Meu amorzinho

Meu amor, deu uma vontade louca de te escrever agora. Assim, estilo confidência mesmo, íntimo e terno, embora você ainda seja uma coisinha minúscula dentro da minha barriga, intuo que dentro de você reside um ser forte e ativo, que espera apenas seu momento de recomeçar a vida. É doce pensar em você assim, "infante, água que sente na placenta", como diz a canção. Meu amor, meu amor, meu mistério de segredos, minha vida que revive, meu amor, meu bem... E então, agora que estou aqui em sua presença, não sei o que dizer. Tantas coisas eu queria te falar! De amor, de nossa família, de sonho, de sexo, de vida... Por que não? De coragem, de ideais, de loucura! Eu gostaria que você me visse, que me reconhecesse, que soubesse quem eu sou, quem nós somos, que tivesse a oportunidade, desde sempre, de ter despertadas percepções mais sutis e mais aprofundadas de si mesma, de nós e do mundo ao seu redor. Acho muito importante essa capacidade, essa condição de olhar, de aprofundar o olhar... Mas então, o que eu te falo? Falo de amor, falo da sua mãe, falo da vida, falo de tudo e de nada... Talvez seja o momento apenas de abrir o canal e te contar que estamos aqui, conscientes da tua presença e honrados por esse delicioso recomeço. A vida na Terra não é fácil. Os sofrimentos nos visitam sempre, especialmente se temos a ousadia de sermos diferentes. Entretanto, o preço da semelhança com o mundo é o de perdermo-nos de nós mesmos.