terça-feira, 25 de novembro de 2008

Meu Amorzinho

Meu amorzinho... Para a maioria das mulheres, a gravidez é uma espécie de estado de graça, em que elas sentem cada mês passado como um presente e uma promessa. Infelizmente, eu não me sinto assim, e não por não amar meus filhos, ou por colocar os eventuais incômodos da gestação em um patamar privilegiado. Cada mês de gestação significa uma etapa cumprida, rumo ao pódio supremo, que reside no começo de uma vida - ou recomeço, segundo nossas crenças pessoais. Ontem seu irmão chorou e chorou. Começou do nada e foi crescendo, num crescendo. Ele não disse o que era, mas eu pude tocá-lo, abraçá-lo, provar-lhe que estava ali, pronta para me empenhar até descobrir de que ele precisava. Então, pouco depois, veio um corrimento diferente, granulado. Por instantes, gelei. "Por que espécies de sofrimento estaria passando minha filha? Se ela estiver assustada, com ou sem motivos, eu não poderei lhe dizer que estava tudo bem com a intensidade de que ela talvez precise". Talvez eu esteja errada, mas é assim que me sinto... Como se vocÊ vivesse em uma caixinha fechada, por ainda não estar pronta para viver no mundo e, nessa caixa, no fim de tudo, vocÊ estivesse sozinha, com ecos difusos do amor e do mundo aqui fora. Então eu não curto, não aproveito. Suporto e oro, até que tudo termine e você esteja nos meus braços. Me resigno e tento fazer de mim um ser humano melhor, para ser ainda mais digna de te receber. Meu amor por você é difuso, porém patente. Eu não te sinto, como se você fosse mais etérea, mais tênue... Mas pensar em você me traz lágrimas aos olhos e me enche de ternura. Fizemos sua ultra e vocÊ está bem. Seu coraçãozinho bateu forte, através do autofalante. Seu pai esteve lá e também ficou emocionado. De onde estiver, seja bem-vinda, meu amor!