Você chegou há uma semana, sob as paredes íntimas do nosso lar. Meu
grito, teu choro, cumplicidade, milagre absoluto da vida e do amor.
De repente, era como se você estivesse aqui há tempos. Mais de uma
pessoa reparou nisso, em como você se encaixou, adequou, aninhou, como
se sempre tivesse vivido conosco.
Você é um bebê calmo, dorminhoco e mamão. Seus episódios de cólica
são curtos, porém intensos. Tenta virar-se e erguer a cabeça. Sua
presença enche nosso lar de ternura e satisfação.
Não sei o que mais dizer nesse primeiro momento, Mariles. Não que
não sinta mais nada, mas porque o que sinto ainda está muito
embaralhado, muito íntimo, muito indescritível.
Você esteve no hospital, mas já voltou. Nós te amamos e nos sentimos
realizados com a sua existência.
Sê bem-vinda uma vez mais, Mariles!
Pensem na morte. Nem sempre. Nem todos os dias. Não flertem com ela, que
isso ´mórbido. Mas considerem-na. Morrer faz parte da vida. Não é o
desejado, mas é ...
Há 14 anos
