segunda-feira, 30 de novembro de 2009
4 meses, pequenininha...
dizer agora do seu tamanho e peso... Mas posso dizer do tamanho do
sentimento que nos une agora, como se cada dia vivido até aqui nos
ligasse cada vez mais, tornando-nos partes de um único todo...
Hoje você faz quatro meses... E faz um ano que soubemos da minha
gravidez. Terno, não é?
Tanta coisa aconteceu de lá para cá! Tanto nós vivemos e
crescemos juntos! E, sobretudo, no centro de tudo, você representa
nossa principal dádiva.
Seu irmão é completamente louco por você. Morre de ciúmes se um
estranho se aproxima demais. Você passa horas e horas das suas tardes
vendo-o brincar ao seu redor. Ele, feliz, mostra todos os seus
brinquedos e faz planos para quando vocÊ crescer: Quando Maliles
crescer, eu vou segurar a mãozinha dela e andar. Eu vou entrar no
bercinho, junto com a Maliles...
Com quatro meses, você baba muito e
chupa tudo que aparece na frente.
Quando tinha dois meses, tia Áurea ficou abanando seu vestidinho e
agora você não pode se ver de vestido que começa a levantar a saia,
muitas vezes para chupar ruidosamente a bainha.
NO final desta semana, passará para o seu quartinho. Uma parte de
mim gosta que isso aconteça, mas outra parte fica meio triste, mais ou
menos como quando comprei a baciinha e a colher para o Estêvão comer
sozinho.
Você está crescendo, meu amor... Quase, quase vira; quase, quase
senta. Mama segurando meu seio com as duas mãos. Chora pouco, mas quando
chora, meu Deus, como é tristinha a impressão que passa!
Uma vez mais, obrigada! Obrigada por, dentre tantos lugares
possíveis, ter ido aportar na nossa familinha; obrigada por dividir
conosco os seus dias. Obrigada por ter nascido. Obrigada por ter vindo.
Obrigada por ter retirado todos os nossos costumes, para por em seu
lugar um contexto muito, muito melhor. Obrigada.....
Você é uma ilha marilística cercada de amor por todos os lados.
Marilando
rimas que nossa ternura soube inventar. Com efeito, Mariles rima com
pequeniles
amiguiles
guliles
dormiles
bonitiles
grandiles
artiles
meniniles...
E muito mais.
Sua vida se derrama por nós e em você nós derramamos nossa vida.
Pela manhã, esta é uma das primeiras perguntas que escuto:
- Mamãe, onde tá a minha Maliles?
E quando seu pai chega do trabalho, não demora muito para querer
saber como você ficou durante a tarde.
A vida escorre delicada e fácil, no ritmo dos seus quase cinco
meses completos. No ritmo do seu primeiro dentinho, que machuca para
sair. No ritmo do seu corpinho, aprendendo a virar de lado e
ambissionando sentar-se. No ritmo dos seus dedinhos se fechando sobre
os nossos dedos, sobre os nossos cabelos, sobre os objetos, sobre o
vidro de sabonete do banho. No ritmo do seu choro, alto, exigente e
descontrolado, quando você decide que alguma coisa é inaceitável.
NO ritmo dos seus cabelinhos que crescem junto com você. No ritmo do
nosso amor, que apenas almenta. No ritmo do teu ritmo. No ritmo do nosso
ritmo. No ritmo do nosso amor entrelaçando-se por todas as nossas
fibras, usando quatro corações para construir seu lar, lar de Marilar,
casa de Mariles.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
3 meses...
presença diária e quentinha entre nós. Dedinhos segurando com força,
maõzinhas se estendendo na esperança de segurar algo, gritinhos
esporádicos, risadinha de satisfação, barulhinhos de desconforto, de
vitória inequívoca por fazer um simples cocô.
Então você é, está, agora, já.
3 meses é muito tempo, mas parece também pouco
Pouco tempo demais pra tanto amor, pra tanta ternura, pra tanta vontade
de viver.
tanta vontade que até faz parecer que esse mundo vale mesmo a pena
Que pode ser, um dia, massa de modelar nas suas mãos,
apertando com vontade de ideal o barro da história
Moldando-o a custa de testemunhos
até adquirir a textura de um sonho
a composição de uma idéia.
Bem dá pra te imaginar crescendo
multiplicação de vontade
peneirando os fatos
elaborando-os ao teu gosto
ampliando teu máximo
Num esforço contínuo.
3 meses então.
Como acreditar que em breve serão anos?
Como acreditar que o tempo que nem tanto me muda vai te mudar tanto, na
próxima década?
Ah, Deus, Mariles... Quantos conceitos grandes em uma mente pequena
como a minha!
Tanto amor imenso sobrepairando o limiar das minhas tantas limitações!
Como te dizer de tudo que vive e é na nossa casa, enquanto você faz 3
meses?
Como te dizer das mamadas noturnas, dos banhos cúmplices, das coisas que
todo bebê do mundo faz, mas cuja repetição não contribui para a
dessensibilização?
Eu sou de menos para tanta beleza
Mas espero ter forças e caráter suficiente para te ajudar a engendrar e
lutar pelos próprios sonhos.
Por que sem a força para se lutar pelo que realmente queremos e importa,
não sei se resta muito mais pelo que viver e morrer, nessa vida.
domingo, 27 de setembro de 2009
Quase 3 meses
barulhinhos de bebê e já perdeu todas as roupas "p's".
É calma, calma. Serena na maio parte do tempo. Não gosta de ser pega
no colo deitada. Gosta de ficar no seu sling. Algumas vezes, mama até
quase estourar, quando vomita um pouquinho.
Mas para nós você é nita, nita demias, nita como se fora duas...
domingo, 20 de setembro de 2009
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
2 meses
gramas. HOje você faz dois meses. Nosso sentimento por você
solidifica-se de forma quase tangível. Sua vida é cercada de segurança e
amor, ternura e sobriedade. Teu pai e teu irmão te chamam de Kikikiki,
enquanto Tati e eu te chamamos mais comumente de Pequeniles... Entre
apelidos carinhosos, fraldinhas, roupinhas de plush e cochilos no
bercinho, no carrinho e no sling, você vive, simplesmente.
Fico te imaginando, tentando visualiar sua voz falando pela casa,
o rumo da nossa família, mas não sou boa nisso. O que temos, portanto,
de concreto e precioso é o presente. Ele nos abrange e nos envolve,
trazendo para nossos dias sempre um que de exaustão, mas iguais
parcelas de doçura e satisfação pelo mero momento.
Acho que era a isso que Silvio Rodríguez chamava de "diminuto
instante imenso":
"Não há nada aqui
Somente uns dias que se aprestam a passar
Só uma tarde em que se pode respirar
Um diminuto instante imenso no viver
Depois voltar à realidade".
Com efeito, o período doce dos primeiros anos é como que uma espécie
de descanso para o espírito, no qual ele se revigora das lutas
pretéritas e haure novas diretrizes para ter sua vida na Terra. Oxalá
esses períodos de singeleza e amor te fortaleçam de alguma forma; oxalá,
não obstante teu corpo físico se esqueça da doçura dessa fase, o teu
espírito nela se revivifique, dela se nutra e por ela encontre o
reflexo, ainda que opaco, do amor de Deus e da finalidade amorosa.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Um mês!...
e dez minutos, de tão nítidas e fugazes se parecem.
Após o torvelinho inicial, sabemo-nos lentamente. Conhecemos o seu
corpinho, o seu jeito, a sua voz, os seus costumes, o seu padrãozinho de
sono, o seu ritmo de mamar. Por agora, tudo começa, tudo inicia, tudo é
canção e estrela, realidade desembrulhando os papéis dos nossos sonhos
lilases e os encharcando de vida, ternura e tantos projetos...
Você nasceu, então, e agora os dias são exaustos e delicados, ternos
e gentis. Um mês de Mariles Estela.. E é estranho pensar em como te
pensávamos, em como planejávamos sua vinda, em como você é e se nos
apresenta, devagar, devagar, devagar, marcando nossos corações de modo
imperecível e totalmente teu.
Eu me preocupava sobre como seria ter dois filhos. Como seria a cor
do amor que devotaria a cada um. Seria igual? Seria diferente? Eu
preferiria a você, ou a seu irmão? Todas essas coisas eu cogitava, mas
não confessava. E hoje quase acho graça de mim, ao ver quão tola fui. É
igual, mas é tão diferente! Como comparar a delícia absoluta de um
passeio no campo com um luar magnífico visto da praia; como comparar o
prazer sensorial e absoluto de um banho de rio com a calidez
surpreendente e inolvidável de um encontro com a terra, as mãos sujas de
barro, as unhas marcadas de areia, os esmaltes marcados pelo gesto de
viver com as mãos.
Vocês dois são amoráveis de formas tão absurdamente distintas, que
entretanto impressiona que possam ser igualmente intensas. Estêvão e
Mariles, nosso presente, nosso pacote de desafio, nosso repositório de
ternura, nossa aurora de entrega e testemunhos, nossas crianças amadas e
tão, tão desejadas....
E então, sim, você nasceu. Acorda três vezes por noite, já tenta
firmar-se nas perninhas, parece que quer virar às vezes. Você nasceu e é
diferente de tudo que poderíamos sonhar, entretanto é você, inteira,
transparente, gota de humanidade dimanada do Princípio Inteligente do
Universo, mistério em botão.
Feliz aniversário de um mês, pequenininha...
sábado, 11 de julho de 2009
Relato do parto para Mariles
grito, teu choro, cumplicidade, milagre absoluto da vida e do amor.
De repente, era como se você estivesse aqui há tempos. Mais de uma
pessoa reparou nisso, em como você se encaixou, adequou, aninhou, como
se sempre tivesse vivido conosco.
Você é um bebê calmo, dorminhoco e mamão. Seus episódios de cólica
são curtos, porém intensos. Tenta virar-se e erguer a cabeça. Sua
presença enche nosso lar de ternura e satisfação.
Não sei o que mais dizer nesse primeiro momento, Mariles. Não que
não sinta mais nada, mas porque o que sinto ainda está muito
embaralhado, muito íntimo, muito indescritível.
Você esteve no hospital, mas já voltou. Nós te amamos e nos sentimos
realizados com a sua existência.
Sê bem-vinda uma vez mais, Mariles!
domingo, 21 de junho de 2009
Estamos quase lá
te descrever, tim tim por tim tim, todas as delícias de sentir que
estamos chegando ao final! Como eu gostaria de conseguir te dizer quanto
os pródomos podem ser incômodos e bem-vindos, ao mesmo tempo! Como eu
gostaria de sentar e te escrever sobre o teu irmão, sobre a superação,
sobre a doçura que é te sentir encaixando e abrindo passagem, milímetro
a milímetro! Como eu gostaria de dizer que as portas de te dar à luz têm
mais de poesia que de dor! Como eu gostaria de te falar das tuas
ondulações no meu ventre, da forma como você vai de um lado para o
outro, como eu consigo, agora, me sentir enternecida ao te sentir ondear
de um lado para o outro, imaginando que parte do seu corpinho passa
através dos meus dedos! Como eu gostaria de conseguir te dizer que cada
dia é prenhe de expectativa e que, mesmo quando elas se vêem frustradas
ao final, sabe-me um gosto de ternura e união incrível! Como eu queria
saber como te falar que nos sinto unidas cada vez mais, próximas cada
vez mais, cúmplices cada vez mais, como se, na medida em que você abre
passagem através de mim, conquistasse mais espaço em meu coração, em
nossas vidas, em nossa história! COmo eu queria te descrever as
minudências do afeto do seu irmão por você, da doçura que ele expressa
ao falar na sua vinda, mesmo com idade tão tenra! Como queria ter ânimo
de sobra para descrever o teu quartinho lilás, a disposições das
roupinhas dentro das gavetas, a ternura da Diva quando imagina você
vindo!
Como eu gostaria de te falar dos divertimentos que ouso planejar
para nós quatro, da minha introspecção ao me preparar para te ofertar o
melhor de mim em uma formação que desejo seja intelectual, moral e
consciente, intensa e doce, firme e delicada! Como eu desejaria te dizer
todas essas coisas com o vagar da brisa e a intensidade do Sol!
Partilhar contigo as horas infinitas de espera e os momentos diminutos e
imensos de arrebatamento maternal!
Pode ser que amanhã você esteja em meus braços; pode ser que só
venha na semana que vem; pode ser que esteja ainda apenas na outra. Mas
em nossas vidas, você já está. Essa espera sem data tem algo de
prelúdio de ventura, de vislumbre de um horizonte que aponta para um
caminho igualmente difícil, desafiante, exigente... Mas lindo, porquanto
erigido e nutrido com muito, muito amor....
segunda-feira, 4 de maio de 2009
30 semanas...
primeira: sexta passada completamos juntas trinta semanas de gestação.
Às vezes sinto arrepios, achando que mais dez semanas assim será
profundamente exaustivo e tento sutilizar ainda mais a conexão entre nós
duas.
Segunda: O meu relato de parto, ou nosso, para ser mais honesta, será
escrito para você. Não me pergunte as razões aprofundadas disso nesse
momento: eu não sei. Mas sinto, de um modo instintivo, que é o que deve
ser feito.
Sigamos juntas, pequenininha.
sexta-feira, 10 de abril de 2009
27 semanas e 6 meses
Estou grávida, e a vida latente que se desenvolve em mim é a tua própria
vida em botão. Tento te sentir através de mim, perceber seus traços de
alguma forma. Só consigo apreender muita força interior e vontade de
viver. Essas características são de certo modo neutras, mas é algo
encantador te redescobrir através do mundo acuoso de expectativas que
ora nos separa.
Estar grávida de você traz poucas alegrias, para além da ventura
indizível de te gestar. Tem sido uma gravidez fisicamente muito
exigente, exaustiva, até; agora mesmo, estou com uma gripe que me faz
buscar horas mais calmas para poder deitar. Essa noite perdi o sono
quase que por completo, e embora tenha ocupado a mente com divagações
sobre como será ter você finalmente ao meu lado, estou fisicamente
exausta...
Por isso é que cada dia tem o sabor de uma vitória, de passos árduos
de um caminho a duras penas trilhado, rumo ao nosso encontro ou
reencontro. E também por isso que hoje, apesar de ter sido tão difícil
em certos modos, foi um dia feliz: hoje faz seis meses que você está
aqui. Três meses nos separam da nossa primeira caminhada ativa juntas,
do momento em que uniremos nossas forças para nos tocar, pele contra
pele, num amplexo de ternura que me emociona apenas em pensá-lo. Seis
meses e vinte e sete semanas em que estivemos unidas, umbigo a
umbiguinho, e em que você apreendeu, de certo modo, minhas emoções
contraditórias e a aluvião crescente de meu amor.
Quero, assim, ratificar mais uma vez quanto você é bem-vinda; que o
desconforto da sua prenhez é gota d'água perante a alegria de ter você
ingressando em nossa familinha.
Lentamente aproximamo-nos, juntas, da reta final e uma vez mais,
permita-me sussurrar: seja bem-vinda, Mariles Estela.
P.S.: para seu irmão você agora é Maíse e, eventualmente, Masila.








